O canteiro de obras do Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães, na Avenida San Martin, em Salvador, se transformou em sala de aula nesta terça-feira (16) para as alunas do curso Construa com Elas, capacitação em construção civil voltada exclusivamente para mulheres. A visita ao espaço, que passa por uma ampla reforma do Governo do Estado, marcou o início da fase prática da formação promovida pela Conder (Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia).
O curso, iniciado em 8 de setembro, integra o Projeto de Trabalho Social (PTS) da Macrodrenagem da Cidade Baixa, com recursos do Novo PAC. Na visita técnica, as 19 alunas puderam observar de perto um canteiro de grande porte em funcionamento, visualizando na prática os conceitos aprendidos em sala.
“Acho que o que mais chamou a atenção delas foi a coordenação das equipes no canteiro de obras. É algo que discutimos muito no curso, pois mostra como diversas frentes de trabalho e profissionais interagem ao mesmo tempo no mesmo espaço”, explicou o engenheiro Renato Carvalho, instrutor do curso.
Com diferentes histórias de vida, as alunas compartilham o desejo de se inserir formalmente no mercado da construção civil, muitas vezes enfrentando preconceitos. É o caso de Amanda Paixão, que já trabalhou na área e sonha em se tornar engenheira: “Esse curso veio para reafirmar que temos o nosso lugar e o mesmo direito que os homens têm”, afirmou.
Outras participantes, como Rosângela Carvalho, desejam usar o aprendizado para serem mais independentes em suas próprias obras, após experiências frustradas com serviços terceirizados. “Aprendi muita coisa por necessidade e observação. Agora estou refinando esse conhecimento”, contou, emocionada.
Para a engenheira civil Martha Lyra Reis, responsável pela fiscalização da obra, a experiência foi marcante. “Ainda é raro ver mulheres no canteiro de obras aqui na Bahia. Gostaria muito de fiscalizar uma obra feita só por mulheres. Elas são muito compromissadas”, disse.
A obra no Colégio Modelo integra o projeto de modernização da rede estadual de ensino e inclui a construção de cobertura para a quadra poliesportiva, vestiários e a requalificação completa da escola. O investimento é superior a R$ 8 milhões.
O curso Construa com Elas é uma das ações do PTS que também oferece capacitações em áreas como alimentação, meio ambiente, saúde e bem-estar, reforçando o papel das obras públicas como agentes de transformação social.
O setor da construção civil lidera as 858 oportunidades de emprego divulgadas pelo Sine Municipal de Cuiabá nesta quinta-feira (18), com salários que chegam a quase R$ 7 mil e diversos benefícios.
Entre as funções mais bem remuneradas está a de operador de motoniveladora, com salário de R$ 6.922,00, além de seguro, alimentação, adicional noturno de 20%, horas extras e possibilidade de alojamento. Também se destacam as vagas para operador de escavadeira, com remuneração de R$ 4.067,00, e para operador de máquinas de construção civil e mineração, com salário de até R$ 2.900,00.
Outro cargo atrativo é o de auxiliar de conservação de obras civis, com remuneração de R$ 2 mil e benefícios como assistência médica e odontológica, Participação nos Lucros e Resultados (PLR), vale-alimentação, “day off” no aniversário e sorteios de ingressos para lazer e cultura.
Há ainda oportunidades para assistente de engenharia, destinadas a estudantes de engenharia civil, com salário de R$ 1.636,64 e pacote de benefícios. Já para funções como servente de obra e ajudante de obras, os salários variam de R$ 1.564,00 a R$ 1.636,64, com auxílios extras e convênios.
As exigências variam conforme o cargo. Algumas funções pedem experiência registrada em carteira e habilitação, mas também há vagas que não exigem experiência, ampliando as chances de inserção ou recolocação no mercado de trabalho.
Fora da construção civil, algumas oportunidades sem exigência de experiência também oferecem salários atrativos e benefícios que chamam a atenção. É o caso de analista de mídias sociais, com remuneração de R$ 2,5 mil, vale-transporte e parcerias em planos de saúde e odontológico. Outra opção é para consultor de vendas, com salário de R$ 2,9 mil mais vale-transporte e vale-alimentação. Também se destacam cargos como pizzaiolo, com ganhos de R$ 2,7 mil somados a premiações, refeitório interno e plano de carreira, além de funções na área de logística e comércio, como auxiliar de armazenamento e atendente de lojas, que oferecem benefícios como assistência médica, odontológica, vale-refeição, convênios e até programas de incentivo educacional.
O Sine é administrado pela Secretaria Municipal de Agricultura, Trabalho e Desenvolvimento Econômico.
Atendimento
Os interessados devem procurar o Sine, localizado na Travessa Celso Luís M. de Almeida, nº 45, bairro Poção, no prédio da Secretaria Municipal de Agricultura e Trabalho (Smat).
O horário de atendimento é das 8h às 17h.
Mais informações também podem ser obtidas pelo telefone e WhatsApp: (65) 99251-7480.
No local, também é oferecido atendimento ao Microempreendedor Individual (MEI), com apoio para abertura, regularização e encerramento de registro.
Serviços do Sine
O Sine Municipal realiza a intermediação de vagas de emprego e o atendimento para solicitação do seguro-desemprego. Para ter acesso ao benefício, o trabalhador deve apresentar os documentos fornecidos pela empresa no momento da rescisão contratual. A solicitação é registrada diretamente no sistema do Governo Federal.
Informações importantes ao trabalhador
- Mantenha o cadastro atualizado nos postos do Sine ou por canais digitais.
Açougueiro - 02 Ajudante de carga e descarga de mercadoria - 23 Ajudante de cozinha - 01 Ajudante de obras - 05 Analista de mídias sociais - 01 Analista de negócio - 200 Assistente administrativo - 02 Assistente de engenharia (construção civil) - 01 Assistente de venda - 01 Atendente de lojas - 13 Atendente de padaria - 07 Auxiliar administrativo - 02 Auxiliar de armazenamento - 03 Auxiliar de conservação de obras civis - 01 Auxiliar de estoque - 04 Auxiliar de lavanderia - 02 Auxiliar de limpeza - 08 Auxiliar de linha de produção - 100 Auxiliar de logística - 65 Auxiliar de mecânico de autos - 05 Auxiliar de operação - 30 Auxiliar operacional de logística - 02 Auxiliar técnico de mecânica - 05 Auxiliar técnico na mecânica de máquinas - 02 Barman - 05 Caixa de loja - 02 Camareira de hotel - 02 Comprador - 01 Conferente de logística - 03 Consultor de vendas - 05 Coordenador de restaurante - 01 Cozinheiro geral - 01 Empregado doméstico arrumador - 01 Empregado doméstico nos serviços gerais - 02 Encarregado de expedição - 01 Garçom - 95 Instalador reparador de redes telefônicas e de comunicação de dados - 01 Mecânico - 04 Mecânico de veículos automotores a diesel (exceto tratores) - 03 Montador de estrutura metálica - 02 Motofretista - 01 Motorista de caminhão - 10 Motorista de caminhão basculante - 65 Motorista entregador - 01 Operador de caixa - 07 Operador de escavadeira - 05 Operador de máquinas de construção civil e mineração - 03 Operador de motoniveladora - 08 Operador de rolo compactador - 31 Operador de telemarketing ativo e receptivo - 01 Operador de trator (minas e pedreira) - 01 Pizzaiolo - 01 Programador de comunicação de sistema - 01 Promotor de vendas - 10 Recepcionista em geral - 01 Repositor de mercadorias - 10 Serralheiro montador - 01 Servente de obra - 01 Técnico automotivo - 02 Técnico de rede (telecomunicação) - 01 Técnico mecânico (máquinas) - 02 Vendedor de comércio varejista - 07 Vendedor interno - 05 Vendedor pracista - 01
O setor da construção civil sempre foi sensível aos ciclos econômicos, mas nos últimos anos essa sensibilidade tem sido aguda. A taxa básica de juros permanece elevada, a política fiscal segue indefinida e os custos operacionais continuam pressionando margens. O resultado é um setor que resiste, mas que encontra poucos incentivos para avançar.
O arcabouço fiscal em vigor, embora tenha sido desenhado para conferir previsibilidade às contas públicas, não tem sido suficiente para ancorar expectativas. A dificuldade do governo em conter o crescimento dos gastos obrigatórios e a falta de avanços estruturais, como a reforma administrativa e a consolidação da segunda fase da reforma tributária, têm mantido o risco fiscal elevado.
A meta de déficit zero para este ano já foi relativizada, e o mercado compreendeu o recado: o compromisso com o equilíbrio fiscal é, no mínimo, flexível. Essa percepção se reflete nas projeções de juros futuros. Com incerteza fiscal, o Banco Central não tem espaço para acelerar cortes na taxa Selic sem comprometer sua credibilidade.
Selic parada, mas com novos horizontes
O mercado, conforme os dados mais recentes do Boletim Focus, projeta que a taxa Selic permaneça no patamar de 15% até o fim de 2025, com uma trajetória de queda moderada nos anos seguintes: 12,50% em 2026, 10,50% em 2027 e 10% em 2028. Ou seja, não há espaço para apostas ousadas.
Parte da cautela decorre de fatores externos, como os conflitos no Oriente Médio envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos, e o avanço de políticas protecionistas promovidas por Donald Trump, com destaque para tarifas sobre produtos brasileiros, que adicionam novas camadas de incerteza à política monetária. Em um país ainda dependente de capital estrangeiro, esses elementos não são acessórios: afetam câmbio, inflação e o custo de rolagem da dívida.
Crédito difícil e custo alto: a trava da construção civil
A taxa de juros elevada compromete a viabilidade econômica dos projetos. O cenário atual impõe restrições severas à tomada de decisão, tanto por parte das empresas quanto das famílias. O financiamento imobiliário se tornou mais seletivo e caro. Para as construtoras, isso significa adiar lançamentos, rever escopos e reavaliar cronogramas.
Além disso, os custos da própria construção subiram: o setor enfrenta pressões inflacionárias sobre materiais, mão de obra qualificada e insumos logísticos. Isso corrói margens e cria desafios adicionais para manter o equilíbrio econômico-financeiro das obras já contratadas. Em projetos de infraestrutura, o impacto é ainda mais sensível, dada a dependência de capital intensivo e a duração de longo prazo dos investimentos.
Perspectiva para o Copom e o que isso significa para o setor
A próxima reunião do Copom deve confirmar a manutenção da Selic em 15%. Não se espera alteração no curto prazo, mas o tom da comunicação será determinante para sinalizar os próximos passos. Caso haja algum avanço nas contas públicas ou redução nas tensões externas, o Banco Central poderá, ainda que de maneira tímida, reabrir espaço para discutir cortes a partir do início de 2026.
Para a construção civil, isso representa mais um período de espera e preparação. O setor precisa lidar com um horizonte de juros altos prolongados, ao mesmo tempo em que mantém sua capacidade de entrega e competitividade. É uma travessia difícil, mas não inédita.
Riscos persistem, mas o setor não para
A construção civil já enfrentou cenários adversos em outros momentos. Em 2025, o desafio está em manter a disciplina e a prudência financeira sem perder a capacidade de resposta para quando o ambiente voltar a ser mais favorável.
Empresas que conseguirem adaptar seus modelos de negócio, inovar na gestão de obras e diversificar fontes de financiamento estarão mais bem posicionadas para capturar as oportunidades que virão com a futura redução dos juros.
Enquanto isso, o foco deve estar em preservar eficiência, avaliar riscos com rigor e manter o olhar atento para os sinais de mudança no ambiente macroeconômico.
em acordo com as empresas, o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Belém decidiu nesta quarta-feira (17) manter a greve da categoria, após dois dias de paralisação.
A decisão pela manutenção da greve veio após quase duas horas de negociação com o Sinduscon (Sindicato das Indústrias da Construção) do Pará, intermediada pela Superintendência Regional do Trabalho.
O sindicato patronal fez uma nova proposta, com aumento salarial indo de 5,5% para 6%, e do valor da cesta básica indo de R$ 110 para R$ 130. Os trabalhadores, porém, pedem acréscimo de 9,5% nos salários e de R$ 270 para a cesta básica.
"Oferecemos a proposta em assembleia, os trabalhadores recusaram e votaram pela continuidade da greve por tempo indeterminado", disse Atnágoras Lopes, coordenador do sindicato da categoria.
Segundo o balanço da entidade, mais de trezentas obras estão em andamento em Belém e a paralisação afeta 80% delas, com adesão de mais de 10 mil operários.
Entre as obras afetadas estariam hotéis que receberão participantes da COP30 e imóveis públicos e privados. Ainda segundo o órgão, duas obras relacionadas à infraestrutura da COP foram afetadas parcialmente.
"Hoje estivemos no Parque da Cidade e na Vila COP e parte dos trabalhadores aderiram ao movimento", afirmou Lopes. O Parque da Cidade sediará as negociações da ONU, enquanto a Vila COP deve receber chefes de Estados e membros das delegações oficiais dos países integrantes da convenção climática.
A única empresa que aceitou a proposta dos operários foi o Hotel Vila Galé, no Porto Futuro 2, onde os trabalhos já foram retomados.
Em nota, a Secretaria de Estado de Obras Públicas informou que as obras para a cúpula do clima seguem normalmente.
A Secretaria Executiva da COP30 reforçou que as negociações trabalhistas estão sendo conduzidas pelas partes competentes. "Ressaltamos que os preparativos para a Conferência continuam em curso e que o andamento das obras segue dentro do cronograma previsto", disse, em nota.
O Sinduscon-PA afirmou que está tentando encerrar o conflito e que os índices oferecidos na proposta estão superiores à inflação acumulada dos últimos 12 meses, cujo INPC resultou em 5,13%. A entidade patronal ressaltou que, portanto, ambos os valores ofertados contemplam um aumento real.
Passado um ano da enchente de 2024, as áreas do Rio Grande do Sul que foram afetadas pelas águas seguem relegadas a segundo plano no que diz respeito a investimentos da construção civil. As empresas do setor seguem evitando negociar terrenos e lançar empreendimentos na chamada “mancha” da enchente, isto é, em endereços que foram diretamente afetados pelas falhas na proteção contra cheias.
A análise foi feita pelo diretor para assuntos de Habitação de Interesse Social do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Rio Grande do Sul (Sinduscon-RS), Ricardo Prada, em entrevista ao programa Gaúcha Faixa Especial, da Rádio Gaúcha.
— É bastante decisivo, eu diria. O que é feito naturalmente… todas as empresas acompanham, na hora que há uma oferta de terrenos ou que se há uma busca ativa de terrenos, prioritariamente se procuram áreas que não foram afetadas (pela enchente) — diz Prada.
Conforme o diretor do Sinduscon-RS, o setor espera que os sistemas de defesa garantamsegurança contra cheias no futuro, mas que, até que isso se concretize, a enchente de 2024 é o balizador de áreas mais suscetíveis nas cidades.
— Porque se acontecer (outra enchente), tomara que não, vamos bater na madeira, se todas as necessidades forem feitas para poder suprir um problema futuro, se de um modo geral se fizer tudo que tiver que fazer, e mesmo assim vier a acontecer um problema futuro, se imagina que as áreas que não foram afetadas em 2024 não serão afetadas de novo. Nesse contexto é seguro para você, para a empresa e para o mutuário, adquirir um terreno que não foi afetado na última calamidade, que foi a maior de todos os tempos — acrescentou Prada.
Na mesma entrevista aoGaúcha Faixa Especial deste domingo (20), o diretor do Sinduscon-RS lembrou que a recomposição dos sistemas de proteção contra cheias são importantes para garantir o crescimento ordenado das cidades e evitar territórios sem investimento da construção civil.
— Na hora que você vai buscar um imóvel para fazer um empreendimento, é natural que a gente observe qual foi a mancha de inundação e obviamente a gente tenta evitar ou não faz, na verdade, negócios em terrenos que foram afetados (pela enchente de 2024). Isso é fato. Eu digo que o Estado como um todo terá que se unir para poder ter proteção hídrica para as cidades, para permitir que haja um crescimento ordenado. E eu falo de um modo geral. Porto Alegre teve, principalmente no Centro, um pedaço da Zona Norte, afetado. Mas se pegar Canoas, São Leopoldo, elas foram muito afetadas. Hoje há um receio grande dessas cidades sobre para onde ir — destacou Prada.
Com um aumento de 4,11%, o Acre foi o estado que registrou a maior alta nos custos da construção civil no país, considerando os valores durante o mês de março. Segundo o Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o valor chegou, em média, a R$ 2.069,71por metro quadrado.
Com o índice, o estado acumula aumento de 9,19% do custo da construção civil nos últimos 12 meses. Se observado ainda o recorte da região Norte, o Acre continua em primeiro lugar, sendo o único acima dos R$ 2 mil.
Veja abaixo, em ordem decrescente, de como ficou o balanço entre os sete estados:
Acre: R$ 2.069,71
Rondônia: R$ 1.999,90
Roraima: R$ 1.994,34
Tocantins: R$ 1.895,56
Pará: R$ 1.847,43
Amapá: R$ 1.844,68
Amazonas: R$ 1.831,16
No país, a tendência foi de distribuição do custo, em média, de R$ 1.043,45 relativos aos materiais e R$ 766,80 à mão de obra. No total, soma-se R$ 1.810,25.
Confira abaixo os cinco estados com os custos de construção mais caros do país, com desoneração da folha de pagamento:
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) prevê um crescimento mais moderado para o setor da construção civil em 2025, com uma expectativa de expansão de apenas 2,3%. Essa projeção representa uma desaceleração significativa em comparação ao crescimento de 4,1% registrado em 2024. A análise da CBIC destaca que os principais desafios enfrentados pelo setor incluem a elevada carga tributária e o alto custo da construção, que impactam diretamente a margem de lucro das empresas. Além disso, a alta nas taxas de juros dificulta o acesso ao crédito, enquanto a escassez de mão de obra qualificada continua a ser um obstáculo relevante.
Os fatores que influenciam essa expectativa incluem um cenário econômico nacional menos dinâmico, com projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em torno de 2% para 2025. A pesquisa Focus do Banco Central indica uma desaceleração na expansão econômica, passando de 3,39% em 2024 para 2% no ano seguinte. As taxas de juros elevadas não afetam diretamente as obras já contratadas, mas podem adiar investimentos privados e concessões, resultando em uma desaceleração mais acentuada na atividade da construção a partir do terceiro trimestre de 2025.
O mercado imobiliário deve continuar a apresentar resultados positivos devido ao programa habitacional "Minha Casa, Minha Vida" (MCMV), que se mostra como um protagonista no setor. Contudo, há preocupações com a contração do crédito habitacional para as classes média e alta. A possibilidade de aumento nos custos com mão de obra e insumos também é um fator que pode pressionar o setor. A CBIC alerta que o teto de preços do MCMV deve ser monitorado em relação aos custos crescentes para garantir a continuidade dos investimentos.
Em termos de mercado de trabalho, espera-se que a atividade do setor formal da construção cresça em 2025, refletindo o ciclo de expansão observado em anos anteriores. O aquecimento do mercado imobiliário em 2024, com um volume significativo de vendas, deverá repercutir em novas obras e manter o mercado de trabalho ativo. No entanto, os adiamentos nos lançamentos podem afetar não apenas o ritmo da construção em 2025, mas também nos anos subsequentes.
Além disso, o cenário internacional traz incertezas que podem impactar os custos e preços das commodities utilizadas na construção civil. Questões como as políticas econômicas dos Estados Unidos e os conflitos geopolíticos têm potencial para influenciar negativamente os preços dos insumos.
Em resumo, as expectativas para a construção civil no Brasil em 2025 refletem um contexto desafiador, marcado por uma desaceleração no crescimento econômico e por dificuldades estruturais que precisam ser enfrentadas para garantir a sustentabilidade do setor.
Para a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), a expectativa é de um crescimento mais moderado para a construção civil em 2025, com uma projeção inicial de expansão de 2,3%. Este número revela a projeção de uma desaceleração significativa no setor, uma vez que em 2024 foi registrado um crescimento de 4,1% nas atividades relacionadas à construção civil.
Atualmente os principais desafios que o setor enfrenta estão relacionados a elevada carga tributária e o alto custo da construção, fatores que impactam diretamente a margem de lucro das empresas. Além disso, o aumento das taxas de juros restringe o acesso ao crédito, enquanto a escassez de mão de obra qualificada continua sendo um obstáculo.
O setor da construção civil teve em 2024 o melhor ano dos últimos 8 anos. Mesmo sem ter fechado os números do ano passado, os resultados de janeiro até outubro já mostravam esse panorama. O crescimento foi de 25%, em relação a 2023 e as vendas atingiram os R$ 6,5 bilhões.
"Vivemos o melhor ano dos últimos 8 anos. Quando a construção civil vai bem, a economia vai bem, porque conseguimos percorrer muitas atividades econômicas".
A fala é do presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), Patriolino Dias, em entrevista no programa Conexão Verdinha, da Verdinha FM 92.5 e da TV Diário, na manhã desta sexta-feira (17).
"Saímos daquele momento de pandemia, depois tivemos um pouco do boom dos imóveis de altíssimo padrão e segunda moradia, mas 2023 e 2024 foi quando a classe média voltou a fazer o upgrade no seu imóvel ou a adquirir o seu primeiro".
Minha Casa, Minha Vida é destaque
Patriolino afirma que o novo Minha Casa, Minha Vida, lançado em 2023, é um dos destaques para o bom resultado no ano passado.
"O programa, lançado pelo governo federal, ajudou bastante e ainda está com taxas fantásticas, a partir de TR (taxa referencial) mais 4% ao ano. Esse foi o segmento do nosso setor que mais vendeu".
Programa estadual incrementou vendas
O presidente do Sinduscon ressalta que os bons resultados também sofreram influência do Programa Entrada Moradia Ceará — iniciativa do governo estadual que subsidia, no valor de R$ 20 mil, a compra do primeiro imóvel. Uma das regras principais deste benefício é a renda familiar de até R$4,4 mil.
meio de 2024, tivemos o incremento com o Entrada Moradia Ceará, projeto que apresentamos ao governador Elmano (de Freitas) e ele abraçou, fazendo com que viabilizasse diversas unidades, para as pessoas menos favorecidas".
Ele ainda explica que o mercado deste tipo de imóvel no Ceará precisava deste subterfúgio para poder alavancar as vendas. Havia recursos que estavam destinados ao estado do Ceará, como subsídio do Minha Casa Minha Vida, mas que não estavam sendo implementados, porque os potenciais compradores não tinham o valor para dar a entrada.
"Essas pessoas estavam ou estão pagando aluguel, em algum lugar, e com a ajuda do Entrada Moradia Ceará o mercado foi viabilizado e incrementou bastante".
Classe média buscando o upgrade
Outro motivo que fez com que 2024 fosse o melhor ano da construção civil dos últimos 8 anos, foi o retorno das compras de imóveis residenciais pela classe média, iniciando ainda no final de 2023. Essa compra, segundo o Sinduscon, é do primeiro imóvel ou ainda um "upgrade" do que já tinha.
Patriolino também comenta sobre o aumento das vendas de segundas residências, nas áreas de praia, principalmente em Aquiraz, no região do Porto das Dunas e do Cumbuco (Caucaia), além do incremento no segmento de altíssimo padrão. "Temos uma concentração de renda grande e estas pessoas também estão buscando o upgrade para o seu imóvel".
O que esperar para 2025
Sobre as perspectivas para este ano de 2025, o presidente da entidade representativa da construção civil diz que a baixa taxa de desemprego e a condição de melhores salários para alguns grupos de pessoas, tem feito aumentar a busca por imóveis e esse movimento deve continuar este ano.
"Realmente, o único senão é a alta da Selic (taxa básica de juros da economia). Acreditamos que isso seja momentâneo e que o governo federal irá trabalhar para que a macroeconomia fique estável, porque as pessoas, quando vão comprar um imóvel, assumem compromissos de 25 a 30 anos. Então, continuamos acreditando que este será um ano muito bom. Não com o mesmo crescimento de 2024, mas que vamos continuar tendo crescimento em 2025 e que as pessoas irão continuar buscando o seu imóvel".
Demanda reprimida até para o aluguel
A demanda reprimida do setor da construção civil, entre a pandemia e 2023, fez com que o mercado ficasse, inclusive, com déficit de imóveis para aluguel. O motivo seria a parada de compras de imóveis para alugar, como investimento, o que teria levado a falta de oferta no mercado.
"Com isso, o aluguel aumentou bastante e, com isso, inviabilizou, inclusive, a compra e o sonho da casa própria", comenta Patriolino.
Sem saber precisar com dados, ele reforçou que o déficit habitacional ainda é grande no Ceará, mas que para 2025 o Governo do Estado já está trabalhando para viabilizar novamente o subsídio de até R$ 20 mil no Programa Entrada Moradia.
Como características, esses imóveis são das faixas 1 e 2 do Minha Casa Minha Vida e custam entre R$ 150 mil e R$160 mil. Em 2024, segundo dados do Estado, foram assinados 2 mil contratos junto à Caixa Econômica Federal e outras 1,5 mil propostas estão nas etapas prévias à assinatura.
"Esse é um programa muito bom, porque você consegue fazer uma política em que o governo, ao invés de ter que dar uma casa toda, ele ajuda a pessoa a realizar o sonho da casa própria, com essa entrada".
Nesses casos, quem vai comprar o imóvel acaba financiando pouco mais da metade do valor total, já que R$ 20 mil é subsídio estadual e até R$ 55 mil é subsídio federal, para imóveis até R$ 160 mil.
"É impressionante, até fizemos essa conta com a Casa Civil, porque esse dinheiro (R$ 20 mil de subsídio), acaba retornando como um todo, como ICMS. Ou seja, acaba alimentando toda a economia", reforça Patriolino.